Silvia de LUCCA

Nascida em São Paulo, em 1960, iniciou os estudos musicais ao piano em 1968, concluindo a graduação em 1982. Ainda como estudante, participou dos festivais de música de Brasília, de Campos do Jordão, de Curitiba, de Londrina e de Teresópolis. De 1983 a 1986 participou dos madrigais Collegium Musicum de São Paulo e Canto Vivo. Como violista integrou a Orquestra Sinfônica Jovem do Litoral. Na composição foi orientada por Roberto Schnorrenberg, Claudio Santoro, Mário Ficarelli e Aylton Escobar. De 1989 a 1993 residiu na Suíça, onde se especializou em composição nos conservatórios de Zurique e de Genebra. É mestra em Artes pela ECA-USP. Participou como compositora em diversos eventos, como o Festival Música Nova em São Paulo, Ribeirão Preto e Santos; o Festival de Inverno de Campos do Jordão; a Bienal de Música Brasileira Contemporânea, no Rio de Janeiro; o Encontro Latino-americano de Compositores, em Porto Alegre; o Encontro Latino-americano de Compositores e Intérpretes, de Belo Horizonte; e o Juni-Festwochen Zürich, na Suíça.

Seu catálogo de composições conta com obras para diferentes formações instrumentais: solos, câmara, orquestra de cordas e sinfônica. Em sua produção orquestral, destacam-se obras como Em memória (1993), Colar de pérolas (1999) e Gaudeamus (2003). Para orquestra de cordas, são a Suíte sun d’oro (2007) e Três correntes de outono (2007).

Vaga-Lua foi composta em 2020 por encomenda do Sistema Nacional de Orquestras Sociais. Escrita para o nível mais inicial da Tabela de Parâmetros Técnicos do Sinos, de acordo com a compositora, foi “um grande e instigante desafio criativo”. Silvia de Lucca explica suas motivações: “Vali-me das características mais perceptíveis da minha pequenina sobrinha de nome Romã e seu local de moradia como motivos de inspiração para esta obra de cunho prioritariamente didático: alegria, tranquilidade, placidez, contemplação, olhar no infinito, além de elementos da natureza como a lua, o mar, o grilo e o vaga-lume”. Integrando na obra tais elementos, a compositora pede que os jovens instrumentistas vocalizem com fonemas específicos indicados em pontos também específicos da partitura, que fazem “referência às ondas do mar que avançam calmamente à praia” e “que retornam calmamente ao mar”. A obra foi estreada em 17 de julho de 2022, pela Orquestra Sinfônica Jovem Chiquinha Gonzaga, sob a regência de Priscila Bomfim, em concerto realizado na Sala Cecília Meireles durante a série Brasiliana, da Academia Brasileira de Música.