Ilza NOGUEIRA

Nasceu em Salvador, na Bahia, em 15 de dezembro de 1948; iniciou os estudos de composição em 1969, já durante o bacharelado em Piano na Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia, orientada por Ernst Widmer. Concluída a graduação, obteve uma bolsa do Serviço de Intercâmbio Acadêmico Alemão (DAAD), realizando estudos na Escola Superior de Música de Colônia, entre 1974 e 1977, sob a orientação de Maurício Kagel. O mestrado e o doutorado foram realizados na Universidade Estadual de Nova York, em Buffalo, nos EUA, sob a orientação de Lejaren Arthur Hiller e Morton Feldman. Na mesma universidade, realizou estudos adicionais com John Clough; ainda estudou com Janet Schmalfeldt, na Yale University, de 1989 a 1990. É professora aposentada do Departamento de Música da Universidade Federal da Paraíba, onde lecionou disciplinas teóricas até o ano de 1998. É autora do livro Ernst Widmer, perfil estilístico (UFBA, 1997). Coordenou a pesquisa Marcos Históricos da Composição Contemporânea na UFBA e publicou os catálogos de obras de Ernst Widmer, Lindembergue Cardoso, Fernando Cerqueira e Agnaldo Ribeiro. É uma das fundadoras da Associação Brasileira de Educação Musical (Abem) e da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música (Anppom), da qual foi a primeira presidente entre 1988 e 1990. Em 2014, fundou e presidiu a Associação Brasileira de Teoria e Análise Musical (TeMA). Integra a Academia Brasileira de Música.

Sua produção como compositora é eclética, inclui a abordagem da música tradicional e popular do Nordeste até as obras experimentais, com adoção de meios eletrônicos, do improviso e da atuação cênica dos intérpretes. No terreno orquestral, destacam-se a Cantata gonzagueana (1997), para tenor solista, coro e orquestra, a Serenata iconoclasta (2001), para coro e orquestra e o oratório Via-sacra (2004), para solistas, coro e orquestra.

A coletânea Cantares da Velha Bahia foi escrita por encomenda do Sistema Nacional de Orquestras Sociais. A compositora a concebeu como um conjunto de peças independentes em diferentes níveis de dificuldade. Cirandê, cirandá é a segunda delas, cujos temas foram selecionados da coletânea Folclore Musicado da Bahia de Esther Pedreira de Cerqueira, que reúne canções ouvidas em diferentes regiões da Bahia, entre o final do século XIX e meados do século XX. A própria compositora apresenta sua obra: “Cirandê, cirandá é uma pequena suíte de cirandas do Nordeste brasileiro. Na ciranda os dançarinos formam uma grande roda e dão passos regulares para dentro e para fora do círculo, ao tempo em que rodam em sentido horário e anti-horário. As canções, tiradas pelo mestre-cirandeiro e respondidas pelo coro dos demais, têm temáticas que refletem experiências de vida”.